Denúncias apontam abusos contra pessoas LGBTs após operação policial no Azerbaijão

12/01/2026 09:57
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Denúncias apontam abusos contra pessoas LGBTs após operação policial no Azerbaijão(foto: iStock)

Denúncias apontam abusos contra pessoas LGBTs após operação policial no Azerbaijão

Cerca de 106 pessoas foram detidas durante batida policial em um clube LGBTQIAPN+ localizado em Baku, capital do Azerbaijão.

De acordo com informações divulgadas pela página local Qiy Vaar, voltada a comunidade no país, os detidos foram levados a uma delegacia e deixados por longo período do lado de fora na noite do último dia 27 de dezembro.

A página relatou que uma mulher teve o cabelo cortado e outra pessoa sofreu fratura dentária durante a detenção. Os policiais usaram "expressões humilhantes e ameaças" e exigiram subornos que chegavam à quantia de R$ 300.

"Há relatos de que também ocorreu um caso de violência sexual na delegacia", apontou a página. Os detidos foram ameaçados de serem levados a julgamento e submetidos a testes toxicológicos obrigatórios. A página acrescentou que a polícia registrou os dados pessoais dos detidos, incluindo suas fotografias e impressões digitais.

"Instituições estatais realizam batidas planejadas e em massa, aproveitando-se da falta de proteção legal e institucional da comunidade LGBTQIA+", escreveu o Qiy Vaar. "Sabe-se de antemão que os mecanismos de defesa legal não funcionarão efetivamente e que as denúncias não resultarão em desfechos favoráveis ao cidadão", acrescentou o perfil.

Em vídeo, uma pessoa deu depoimento à pagina sobre a ação policial, e contou que os agentes a agrediram fisicamente, zombaram dela e a humilharam de diversas maneiras. A pessoa relatou que a polícia obrigou um de seus amigos a urinar nas calças em frente à delegacia e que abusou de outro amigo que teve um ataque de pânico.

"Nos deram uma garrafa vazia e ordenaram que a enchêssemos com água do vaso sanitário e bebêssemos — todos os 106 [detidos]", continuou. "Quando outra garota teve uma convulsão epiléptica, ela foi levada ao banheiro, gritaram com ela e disseram: 'Você não tem o direito de perder a consciência aqui'", lamentou.

A pessoa disse que os detidos não possuíam permissão para contatar suas famílias ou um advogado. "Nossas famílias foram tratadas muito mal. Disseram a elas: 'Pegamos seus filhos em uma boate gay; eles estavam usando drogas e se comportando de maneira imoral'", declarou.

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