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Discriminação afasta jovens trans da escola, família e mercado no Brasil, aponta pesquisa

Levantamento revela desigualdade enfrentada por jovens trans no país
29/01/2026 10:20
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Discriminação afasta jovens trans da escola, família e mercado no Brasil, revela pesquisa(foto: iStock)

Discriminação afasta jovens trans da escola, família e mercado no Brasil, revela pesquisa

Ser uma pessoa trans significa estar ainda mais exposto ao preconceito e à exclusão no Brasil, revelou uma nova leitura da Pesquisa Diversidade Jovem Espro/Diverse, divulgada em pleno Dia Nacional da Visibilidade Trans, nesta quinta-feira (29).

Os dados indicam que, em praticamente todos os ambientes analisados, os percentuais de vivência de preconceito entre jovens trans são significativamente superiores aos observados entre jovens em geral. Nos ambientes educacionais, cerca de 97% dos jovens trans afirmam já ter sentido ou presenciado preconceito na escola ou faculdade, contra 78% entre os jovens em geral. Na sequência, destacam-se 81% no ambiente familiar e 81% em serviços (como transporte, saúde, restaurantes e lojas).

A desigualdade também figura nas tentativas de autoproteção: cerca de 78% das pessoas trans dizem já ter escondido informações pessoais na escola ou faculdade, percentual acima do registrado entre os jovens em geral (41%), além de 72% no ambiente familiar e 69% em serviços, como forma de evitar situações de intolerância.

Ainda assim, o custo emocional é elevado: 66% dos jovens transgênero já deixaram de frequentar o ambiente familiar por não se sentirem confortáveis ou seguros. O índice é mais que o dobro do percentual entre jovens em geral (28%). Além disto, em torno de 47% já deixaram de frequentar serviços e 41% de ir à escola ou faculdade, por receio de discriminação.

No mercado de trabalho, alguns desafios são evidentes. Quase seis em cada dez jovens trans (59%) acreditam terem sido desclassificados de alguma vaga por conta de sua diversidade, percentual superior no comparativo entre jovens em geral (32%). Cerca de 63% já foram excluídos de grupos, 59% sofreram violência verbal e 41% não receberam o mérito de alguma ideia, evidenciando obstáculos adicionais para a permanência e o desenvolvimento profissional dessa população.

A Pesquisa Diversidade Jovem Espro/Diverse foi realizada por meio de um questionário online, com respostas coletadas entre de 8 de outubro a 7 de novembro de 2025. A iniciativa teve a participação de 3.203 jovens de todo o Brasil. Do total, 32 jovens se identificaram como transgêneros – 1% da amostragem, percentual próximo ao da população transgênero no país estimado por uma pesquisa da Unesp (0,69%). O grau de confiabilidade da Pesquisa Diversidade Jovem Espro/Diverse é de 99%, com margem de erro de 2%.

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