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"Virei gay, buzine para apoiar": ‘Pegadinha’ reacende debate sobre homofobia na web

Vídeo viral expõe como humor pode reforçar preconceito contra pessoas LGBTQIA+
23/03/2026 09:34
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"Virei gay, buzine para apoiar": ‘Pegadinha’ reacende debate sobre homofobia na web(foto: Reprodução/Instagram)

"Virei gay, buzine para apoiar": ‘Pegadinha’ reacende debate sobre homofobia na web

Um vídeo recente viralizou nas redes sociais, onde dois motoboys e influenciadores digitais de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, promoveram uma pegadinha do ‘buzinaço’ com colegas da profissão.

A trend em questão tem como objetivo de colar, em veículos, cartazes com frases engraçadas que instigam outros condutores a buzinarem desenfreadamente, sem que a ‘vítima’ da brincadeira entenda o motivo de tanto barulho. Desta vez, a tal ‘brincadeira’ expôs o preconceito de quem considera a orientação sexual alheia uma piada.

Mikaella Lima Lopes, subsecretária de Políticas Públicas LGBTQIA+ de Mato Grosso do Sul, constatou que o conteúdo em questão traz problemáticas preconceituosas. “O episódio registrado em Campo Grande expõe como o humor ainda é utilizado como ferramenta de marginalização. Quando se utiliza a orientação sexual de alguém como ‘alvo’ de uma piada não consentida, o que se está fazendo, na verdade, é reforçar que ser LGBTQIA+ é algo digno de mofa, um ‘mico’ ou uma condição inferior”, explica ela.

Ao colar um cartaz com frases desse tipo, os autores partem do pressuposto de que ‘ser gay’ é um motivo de chacota. “Para a comunidade LGBTQIA+, situações assim são gatilhos de insegurança. O espaço público, que já é hostil para muitos, torna-se um cenário de exposição forçada. Quando o público buzina ou ri, ele valida a ideia de que a identidade de uma pessoa pode ser usada como entretenimento alheio, sem o seu consentimento. Isso gera um sentimento de isolamento e vulnerabilidade constante”, pontua.

Além de preconceituosa, a ‘brincadeira’ também é criminosa: “O Artigo 20 da Lei 7.716/1989, estendida pelo STF [Supremo Tribunal Federal] para cobrir a homotransfobia, é claro sobre praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito. No contexto dos motoentregadores, uma categoria que luta diariamente por direitos e respeito nas ruas, esse tipo de atitude é contraproducente. Cria divisão dentro de uma classe que deveria ser unida e mancha a imagem de profissionais que dependem da confiança e da seriedade para exercer seu trabalho”, afirma Mikaela.

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