Caso Alice

Justiça descarta feminicídio em caso de morte de mulher trans em Belo Horizonte

Juíza afasta qualificadoras de feminicídio em caso de mulher brutalmente agredida após dívida de R$ 22
08/05/2026 09:12
COMPARTILHE
Parceiro
Terra
Caso Alice(foto: Reprodução/Instagram)

Caso Alice

A decisão da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, reacendeu o debate sobre o reconhecimento da violência contra pessoas trans no sistema de Justiça.

Com análise sobre o caso da morte de Alice Martins Alves, de 33 anos, a magistrada optou por desconsiderar as qualificadoras de feminicídio e de meio cruel. Em decisão, que foi divulgada nesta última quinta-feira (7), ela afirmou que “não há indícios de que a motivação do crime esteja vinculada ao contexto de transfobia.

Alice foi brutalmente espancada na madrugada de 23 de outubro de 2025, após consumir em uma pastelaria na região da Savassi, área nobre de Belo Horizonte. Segundo a denúncia, a agressão teria ocorrido depois que a vítima deixou o local sem pagar uma conta de R$ 22. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 9 de novembro.

Na sentença, a juíza argumentou que, embora o caso cause indignação pela desproporcionalidade da violência, não há comprovação de que Alice tenha sido agredida em razão de sua identidade de gênero. Apesar de reconhecer que o réu teria se referido a Alice no masculino durante as agressões, a magistrada avaliou que “o fato de o acusado se referir a Alice através do gênero masculino não atrai para o fato a pecha de crime de ódio, que necessita de maiores e mais gravosos elementos para a sua configuração”.

Ela também afastou a qualificadora de meio cruel, afirmando que “o meio cruel […] não decorre da simples repetição de golpes ou disparos”, e que não há provas de comportamento marcado por sadismo. A decisão ainda revogou a prisão preventiva de Arthur, que passará a responder em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. No mesmo processo, o garçom Willian Gustavo de Jesus do Carmo foi impronunciado por falta de provas de participação direta no crime.

Não deixe de curtir nossa página no Facebook e também no Instagram para mais notícias do Observatório G.

Apoio

Pride Brasil
Acessar Site

Loja física e online de produtos para o público LGBTQIAPN+ Vista-se de ORGULHO com a Pride Brasil! pridebrasil.com.br Rua Augusta, 1371, Loja 17, em São Paulo.

Mais notícias do autor

linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram