(foto: Reprodução/Redes Sociais)João Gabriel Ornelas Ramos (à esquerda) e Rafael Gonçalves Mendes (à direita) foram presos durante a Operação Pilot, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia
A prisão de dois homens investigados por integrar um grupo criminoso responsável por roubos, extorsões, estupros e associação criminosa reacendeu o debate sobre a segurança nos aplicativos de relacionamento. Em resposta ao caso, as plataformas Grindr e SCRUFF reforçaram ao Observatório G as medidas adotadas para prevenir crimes e proteger seus usuários.
Os suspeitos, identificados como João Gabriel Ornelas Ramos e Rafael Gonçalves Mendes, ambos de 23 anos, foram presos na manhã da última sexta-feira (26), durante a Operação Pilot, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia, em Salvador. Além das prisões, realizadas no bairro da Federação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em imóveis da mesma região.
Segundo as investigações conduzidas pela 7ª Delegacia Territorial (DT/Rio Vermelho), o grupo utilizava aplicativos de relacionamento e redes sociais para atrair vítimas. Após o primeiro contato, os encontros eram marcados, principalmente às sextas-feiras e nos fins de semana. Sob o pretexto de seguirem para um local mais reservado, as vítimas eram levadas para outro imóvel, onde permaneciam sob ameaça enquanto tinham pertences roubados e eram obrigadas a realizar transferências bancárias. Em alguns casos, também sofreram violência sexual.
Grindr destaca cooperação com autoridades
Em entrevista ao Observatório G, a assessoria do Grindr Brasil afirmou que a empresa mantém colaboração constante com as autoridades e adota medidas rigorosas para impedir o uso criminoso da plataforma.
“Assumimos com muita seriedade a responsabilidade de conectar a comunidade queer e colaboramos continuamente com os órgãos de segurança pública para apoiar investigações, ajudando a punir quem abusa de nossas ferramentas. Sempre que uma conduta nociva ou ilegal é denunciada, ativamos nossos protocolos internos de resposta. Nossa diretriz determina o banimento de usuários mal-intencionados tanto em nível de perfil quanto de aparelho, além do aprimoramento constante dos nossos mecanismos e indicadores de segurança na moderação do aplicativo.”
SCRUFF orienta usuários a utilizarem ferramentas de segurança
O SCRUFF também se manifestou sobre o caso. Ao Observatório G, Guilherme Kieras, responsável pelo marketing da plataforma no Brasil, ressaltou que o aplicativo oferece recursos voltados à prevenção de golpes e violência.
“O SCRUFF oferece opções de verificação de perfis, realização de videochamadas dentro do aplicativo, denúncia de perfis suspeitos e suporte técnico para eventuais ocorrências. Os usuários devem aproveitar essas funcionalidades, pois elas reduzem drasticamente os riscos de golpes e violência, assim como devem seguir as demais dicas de segurança disponibilizadas pela plataforma.”
OAB Bahia defende responsabilização dos aplicativos
Em resposta ao caso, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), por meio do presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Gênero, Dr. Ives Bittencourt, defendeu que plataformas de relacionamento podem ser responsabilizadas civilmente quando houver falhas no dever de segurança.
Segundo o advogado, a proliferação de perfis falsos pode caracterizar omissão das empresas na proteção de seus usuários.
“É imprescindível que as empresas se comprometam a adotar medidas de segurança mais rigorosas para proteger os usuários”, afirmou Bittencourt.
Como aumentar a segurança em aplicativos de relacionamento
Especialistas em segurança digital recomendam alguns cuidados antes de marcar encontros com pessoas conhecidas pela internet:
O caso segue sob investigação da Polícia Civil da Bahia, que busca identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa e eventuais novas vítimas.

