Entenda o motivo

Risco de aborto espontâneo é maior entre homens trans, aponta pesquisa

Pesquisa identifica diferença nas perdas gestacionais, mas não aponta causa
18/07/2026 11:00
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Risco de aborto espontâneo é maior entre homens trans, aponta pesquisa(foto: iStock)

Risco de aborto espontâneo é maior entre homens trans, aponta pesquisa

Uma revisão científica inédita trouxe novos dados sobre a saúde reprodutiva de homens trans e pessoas transmasculinas, apontando uma possível maior incidência de aborto espontâneo durante a gestação.

O levantamento, publicado na revista Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica, analisou 44 estudos e identificou taxas de perda gestacional entre 31% e 40% nesse grupo, enquanto estimativas para mulheres cisgênero grávidas variam entre 11% e 22%. Os pesquisadores, no entanto, reforçam que os resultados ainda precisam ser interpretados com cautela devido à falta de estudos comparativos mais robustos.

Segundo os autores da revisão, ainda não há evidências suficientes para determinar se a diferença nas taxas de aborto está relacionada ao uso de testosterona antes da gravidez ou a outros fatores envolvidos. “Os poucos dados disponíveis sugerem que a perda gestacional foi maior naquelas que já haviam tomado testosterona”, explicaram os pesquisadores, destacando que esse aumento também foi observado entre pessoas que haviam interrompido o uso do hormônio meses antes da concepção.

A análise aponta ainda que alguns participantes dos estudos utilizavam combinações hormonais envolvendo testosterona, estrogênio e/ou progesterona, mas “não havia informações sobre essa combinação em gestações subsequentes”, fazendo com que “a forma como esses hormônios interagem ainda seja desconhecida”.

O estudo também chama atenção para o fato de que a gravidez entre pessoas transmasculinas continua sendo uma área pouco investigada pela ciência. Os pesquisadores classificaram esse grupo como uma “minoria significativa” e estimaram que entre 6% e 9% das pessoas transmasculinas passam por uma gestação, enquanto aproximadamente 4% a 9% têm filhos. Apesar disso, os autores afirmam que a falta de dados prejudica diretamente a qualidade do atendimento oferecido.

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