(foto: Reprodução)Jornalistas da Rússia deixam o país após portal LGBT+ ser classificado como "extremista" pelo governo
Jornalistas do Parni+, maior publicação voltada ao público LGBTQIAPN+ na Rússia, relataram que foram obrigados a deixar o país após o veículo ser classificado como uma “organização extremista”.
Fundado em 2008 como um portal dedicado à prevenção do HIV entre homens gays e bissexuais, o site ampliou sua atuação ao longo dos anos para abordar direitos humanos, discriminação, migração e outros temas relacionados à comunidade. Em abril deste ano, no entanto, um tribunal russo acatou uma ação do Ministério da Justiça e enquadrou a publicação como extremista por sua cobertura dessas pautas, em meio ao endurecimento das leis de “propaganda anti-LGBT” promovidas pelo governo de Vladimir Putin.
Ao portal Pink News, o fundador e editor-chefe, Yevgeny Pisemsky, contou que teve apenas 24 horas para deixar a Rússia depois que um processo criminal foi aberto contra ele. “Sempre quis morar no exterior por um tempo, mas nunca quis sair assim. Eu tinha apenas 24 horas para sair”, relembrou.
Asilado no Reino Unido, ele afirma que sua maior preocupação não é apenas com os jornalistas, mas também com o público do portal. “O Estado está tentando tornar perigosa a própria conexão entre nós e nosso público”, lamentou.
Apesar da repressão e das dificuldades impostas pelo exílio, os profissionais afirmam que não pretendem interromper o trabalho do Parni+. “Sabemos que há pessoas na Rússia que nos leem e que estão assustadas e solitárias; elas precisam ver que alguém ainda está falando com elas em uma voz humana normal”, disse.
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