(foto: Foto por Patti Perret/Netflix )No final de 2025, eu apertei o play em Boots, na Netflix, achando que veria apenas mais um drama militar. Terminei a temporada entendendo que estava diante de algo maior: uma história sobre existir quando o mundo insiste em dizer que você deveria se esconder.
Inspirada em The Pink Marine, livro de memórias do ex-sargento da Marinha dos Estados Unidos Greg Cope White, a série se passa principalmente no Marine Corps Recruit Depot Parris Island, na Carolina do Sul. Entre gritos de comando e fileiras perfeitamente alinhadas, conhecemos Cameron Cope, interpretado por Miles Heizer , um adolescente gay da Louisiana que decide se alistar no Corpo de Fuzileiros Navais ao lado do melhor amigo hétero, Ray McAffey ,interpretado por Liam Oh.
Estamos em 1990. Ser homossexual nas Forças Armadas não era apenas um tabu era motivo para expulsão. No regime do “Don’t Ask, Don’t Tell”, a regra era clara: você pode servir, desde que não exista plenamente. Pode carregar a mochila, desde que não carregue a própria verdade.
Sob o comando do Sargento Sullivan (Max Parker), Cameron aprende que sobreviver ali exige mais do que resistência física. Exige contenção. Exige editar gestos, controlar olhares, domesticar o desejo. E talvez seja isso que torna Boots tão potente: ela não fala apenas sobre o quartel, mas sobre todos os espaços onde pessoas LGBTQIAPN+ aprendem cedo a medir a própria presença.
A série estreou em 9 de outubro de 2025 e rapidamente conquistou público e crítica: 90% de aprovação no Rotten Tomatoes, 9,4 milhões de visualizações na segunda semana, presença no top 10 em vários países. Mas , o sucesso veio acompanhado de ataques. Sob o governo de Donald Trump, um porta-voz do Pentágono, Kingsley Wilson, classificou a produção como “lixo woke”, acusando aNetflix de
“ Promover uma agenda ideológica”. E que os padrões militares são neutros, que o peso da mochila não se importa se você é gay ou hétero.
Boots nunca foi só sobre botas lustradas e mochilas pesadas. É sobre o peso invisível de existir fora da norma.
Dois meses após a estreia, a Netflix anunciou o cancelamento. Oito episódios. Só isso. Como tantas narrativas queer, Boots foi intensa e breve, quase como se o sistema que ela critica também operasse fora da ficção.
Há quem questione imprecisões históricas, o livro original se passa em 1979, no Texas. Mas a verdade emocional permanece intacta. Boots fala sobre a tentativa de caber onde não fomos pensados para caber. Sobre amar em silêncio.
Talvez porque quebrar o silêncio seja mais subversivo do que qualquer farda.
O fato da série ter sido cancelada cedo demais. Com certeza, tenha sido incômoda demais. Mas, ela cumpriu seu papel: Lembrar que somos pessoas vivendo em um mundo caótico , e que não há nada de subversivo em querer existir por inteiro. O problema nunca foi o peso da mochila. Sempre foi o peso do preconceito.
Cultivando minha Ilha.. Eu Sinto…








Silvia Diaz , é Atriz, Performer, Dramaturga e Roteirista. Estudou interpretação Teatral(Unirio). Graduada em Produção Audiovisual(ESAMC). Dramaturgia ,SP escola de Teatro. Apenas uma Artista que vende sonhos em dias cinzentos.
E quando os dias não os dias não forem tão trevosos, ainda assim continuarei a vender meus sonhos!! Cores, abraços, afetos, lua em aquário. Fluindo .
Cultivando minha Ilha.. Eu Sinto…
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