Comportamento

LGBTs e relações familiares

Um recorte específico para as famílias contemporâneas brasileiras que possuem membros LGBTs e não os aceita

Foto: Canva
Foto: Canva

A instituição familiar é uma das mais antigas e importantes da humanidade, possuindo raízes desde o período paleolítico. Ao longo da história, os arranjos familiares foram sendo afetados por inúmeros fenômenos sociais, políticos, econômicos e religiosos. Mas permanecendo forte e significante até os dias de hoje.

Existem inúmeras maneiras de entender uma família, logo que cada cultura e período histórico a compreendeu de uma forma diferente. Essa riqueza de possibilidades de constituições familiares renderia um livro gigante, repleto de páginas e imagens. No entanto, quero nesse texto fazer um recorte específico para as famílias contemporâneas brasileiras que possuem membros LGBTs e não os aceita como são ou querem ser.

Esse recorte é importante porque tem como finalidade demarcar que diferentemente das pessoas cis heteronormativas, os indivíduos LGBTs desde sempre aprendem a estabelecer relações familiares de maneira ambígua. Essas contradições acontecem, em grande medida, pelos inúmeros atravessamentos LGBTfóbicos que afetam as existências queers. Muitos LGBTs, infelizmente, aprendem desde cedo que as  suas bases familiares nem sempre serão capazes de amá-los incondicionalmente pelo fato de serem quem são; sujeitos não normativos.

Para esses indivíduos excluídos do seio familiar, apenas resta um conjunto de migalhas limitantes nos ambientes familiares. Essa pobreza afetiva contribuí, diretamente, para o desenvolvimento dos inúmeros sintomas e neuroses na psique homo. Crescer desejando amar, mas recebendo frases limitantes como “eu amo você, mas não a sua sexualidade”, cortam profundamente qualquer possibilidade do reconhecimento profundo de um LGBT em ser quem ele realmente é; um sujeito completo e pulsante.

Para muitos dos excluídos, continuar seguindo à vida sem uma palavra familiar amiga ou de conforto será tão doloroso que, em muitos momentos, essa dor será sufocante. E é justamente nesses momentos de profundo sofrimento e abandono que o ser humano terá duas possibilidades: elaborar o vazio familiar em uma potência de recontar a sua história ou uma segunda opção, menos feliz e mais dolorosa, a construção de uma vida automática.

Os indivíduos LGBTs que aprenderem a elaborar a sua história através da arte, relações afetivas, núcleos de amizades serão verdadeiros guerreiros de uma batalha silenciosa e perfurocortante. Mas para os que acabarem sendo levados pela onda depressiva e automática da pulsão de morte, meu profundo pesar; continuaremos lutando por todes vocês aqui do outro lado.  

LGBTs e as relações familiares
LGBTs e as relações familiares