(foto: Foto: Pedro Ommã)Minha ligação com o rap vem de muito tempo. Sempre admirei artistas que transformaram a música urbana brasileira em instrumento de denúncia, poesia e identidade, como Racionais MC's, Sabotage, Emicida e Filipe Ret. Cada um deles ajudou a construir uma narrativa poderosa dentro do hip hop nacional, tornando impossível resumir em poucos nomes a grandiosidade dessa cultura.
Nos anos 90, quando estudava teatro na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, também vivi intensamente o auge do funk carioca. Era um período vibrante da música popular brasileira, embalado por artistas como Claudinho & Buchecha, MC Marlboro, Tati Quebra Barraco e tantos outros que marcaram gerações. Essas referências musicais sempre me fizeram olhar com atenção para novos artistas que surgem nas periferias e reinventam a arte urbana.
Foi assim que conheci Hiran.
Nascido em Alagoinhas, na Bahia, Hiran começou a ganhar visibilidade por volta de 2017, quando passou a se apresentar na cena independente de Salvador. Mas sua relação com a música começou muito antes. Desde jovem, escrevia rimas e encontrava no rap uma forma de expressão pessoal. Antes de assumir a carreira solo, trabalhou como backing vocal e participou de bandas, até construir sua própria identidade artística.
Em 2018, lançou Tem Mana no Rap, álbum que o colocou em destaque dentro do rap queer brasileiro. O trabalho abordava diversidade, liberdade e pertencimento, quebrando barreiras dentro de um cenário ainda muito conservador. Hiran passou a ocupar um espaço importante como um dos primeiros rappers gays assumidos do Nordeste a conquistar reconhecimento nacional.
Seu som mistura Rap, MPB, pop e influências nordestinas, criando uma linguagem moderna, sensível e política ao mesmo tempo. Ao longo da carreira, dividiu trabalhos com nomes como Caetano Veloso, Gloria Groove e Majur, ampliando ainda mais sua presença na música brasileira contemporânea. Discos como Galinheiro e IMUNDO revelam um artista cada vez mais forte artisticamente e mais comprometido com sua verdade.
Falando do seu novo trabalho, agora em 2026, seu álbum “IMUNDO”, considerado uma virada em sua carreira, marcando um retorno mais intenso ao rap e ao hip hop. O disco repercutiu nacionalmente e também trouxe à tona discussões sobre homofobia na cena musical.
Hiran transforma sua arte em posicionamento. Sua presença no rap desafia padrões tradicionais e confronta preconceitos históricos. Existe força, coragem e vulnerabilidade em sua obra. Ele canta sobre identidade, afetos, liberdade e resistência, abrindo caminhos para outras vozes LGBTQIAPN+ dentro da música brasileira.
Além da carreira musical, Hiran também expandiu seu trabalho para o audiovisual. Participou da peça IAYWÓ – Filho do Encanto. E vai estrear como ator na adaptação de Café com Canela, produção do Canal Brasil inspirada no premiado filme de Ary Rosa e Glenda Nicácio. Produzida por meio da produtora baiana Rosza Filmes. Com um elenco especial, como Babu Santana, Fabrício Boliveira, Lucas Leto, Valdineia Soriano e Taís Araújo.
O que mais impressiona em Hiran é justamente sua autenticidade. Ele ocupa espaços sem pedir permissão, usando a música como ferramenta de transformação social. Sua trajetória representa coragem em tempos difíceis, e sua arte atravessa o público com intensidade, questionando preconceitos e ampliando horizontes.
Hiran é uma voz necessária dentro da cultura brasileira contemporânea. Um artista que faz do rap não apenas entretenimento, mas também resistência, liberdade e afirmação.
Acho incrível a trajetória de Hiran, e sua voz representa a luta lgbtqiapn+, em um mundo medieval e homofóbico, quase um Oxóssi e sua arte atravessa com uma flecha , bem certeira, no peito da hipocrisia.
Hiran, você é o "The BasedGod", autêntico, iluminado, positivo e que não se importa com pensamentos negativos alheios.
Você é muito inspirador !! Um salve !!
Cultivando minha Ilha.. Eu Sinto…






Silvia Diaz , é Atriz, Performer, Dramaturga e Roteirista. Estudou interpretação Teatral(Unirio). Graduada em Produção Audiovisual(ESAMC). Dramaturgia ,SP escola de Teatro. Apenas uma Artista que vende sonhos em dias cinzentos.
E quando os dias não os dias não forem tão trevosos, ainda assim continuarei a vender meus sonhos!! Cores, abraços, afetos, lua em aquário. Fluindo .
Cultivando minha Ilha.. Eu Sinto…
Instagram @silviadiaz2015
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