(foto: Divulgação/Gallassini)Halessia
Reconhecida por sua trajetória no universo drag, da moda e do entretenimento, a drag queen e influenciadora Halessia, de 29 anos, inicia oficialmente uma nova fase artística: sua estreia como DJ.
Apesar da novidade para parte do público, sua relação com a música eletrônica não é de hoje. Há oito anos, ela já se apresentava em boates LGBTQIAPN+ de diferentes cidades do Brasil, especialmente com sets voltados ao pop, antes da pandemia da Covid-19. Agora, o retorno aos palcos representa o reencontro com uma paixão antiga.
Em entrevista exclusiva ao Observatório G, Halessia detalha o significado desse novo momento: "Senti muita falta de tudo isso, isso me traz vida", afirma. Para marcar essa nova página artística, ela escolheu a cena tribal como principal linguagem musical, tendo sido feita com base estratégica e afetiva.
"Achei o local perfeito para conseguir juntar o maior números de pessoas que admiram meu trabalho", explica. A artista destaca que sua paixão pela música eletrônica vai para além do tribal, e que pretende explorar outras vertentes em futuros lançamentos na plataforma SoundCloud.
A nova fase, no entanto, não representa uma ruptura em sua carreira, mas a continuidade de uma construção artística que sempre transitou entre diferentes linguagens. Para Halessia, a moda, performance e música caminham no mesmo compasso. "Uma complementa a outra e as três utilizadas juntas torna tudo mais grandioso, um espetáculo", resume. Essa visão da arte também se reflete em sua atuação em espaços diversos.

Um dos exemplos mais recentes dessa ampliação de público foi sua participação no Rancho do Maia, projeto do influenciador Carlinhos Maia, que levou a artista a alcançar pessoas que ainda não conheciam sua trajetória. Fiel ao propósito de popularizar a arte, a DJ destaca que sempre buscou ocupar diferentes espaços.
"Desde um evento grandioso como o Festival de Cannes até locais mais simples, eu gosto de levar a arte para todos os públicos. Muita gente tem preconceito até conhecer de perto", afirma. O sucesso da experiência foi tamanho que ela já tem retorno confirmado: em agosto, estará em mais uma edição do formato inspirado em reality show.

A artista também observa com naturalidade a responsabilidade de representar a comunidade LGBTQIA+ em espaços de grande alcance popular. "Já faço isso a anos, quando temos uma alma de artista sentimos uma sensação de dever cumprido toda vez que pessoas conhecem e começam a admirar nossa arte", diz. O compromisso com a representatividade também marcou sua participação na 30ª edição da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo, realizada no último dia 7 de junho.
Mesmo em meio a desafios, como a redução de patrocínios e discussões sobre projetos de lei considerados prejudiciais à comunidade, Halessia descreve a experiência como transformadora. "Foi um dos momentos mais especiais da minha carreira. Fazer parte desse momento preencheu meu coração e me deu mais forças para seguir em frente", ressalta.
Em um cenário de crescente polarização política, Halessia acredita que artistas LGBTQIA+ têm um papel importante no debate público. "Precisamos sim estar sempre nos posicionando pois tem muita gente que tem a opinião formada através da nossa, devemos sempre estudar e estar por dentro de quem está ou não do nosso lado", conclui.

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