(foto: Divulgação)Grag Queen
Grag Queen vive um dos momentos mais expansivos de sua carreira artística. Após consolidar a turnê 'Cósmica' no Brasil, iniciada em novembro de 2025, a drag queen, cantora e apresentadora trouxe o espetáculo para novos territórios com a 'Cosmic Light', uma série de apresentações nos Estados Unidos, iniciada no último dia 31 de março, e que seguirá até o dia 25 de abril.
Em entrevista exclusiva ao Observatório G, a multiartista reflete sobre o significado dessa experiência, os desafios logísticos e estéticos da estrada, e o papel político de sua arte em um cenário internacional marcado por disputas e alterações em torno dos direitos LGBTQIAPN+ no território americano.
Para Grag Queen, seu retorno aos Estados Unidos com uma turnê própria vai além de uma conquista profissional, mas como um gesto simbólico de pertencimento. "É reafirmar, dentro de mim e fora, a grandeza que é fazer parte da cena drag brasileira!", diz. A artista também destaca o reencontro com o público brasileiro que vive fora do país: "Eles estão sempre dispostos e ansiosos pelo nosso jeito de botar fogo na pista", destaca.

A turnê internacional também é marcada pela colaboração de Grag com o DJ e produtor Bright Light Bright Light, nome conhecido na cena pop e eletrônica global. A parceria, segundo a drag, surgiu de uma sintonia para além do campo musical, e fortalecida após no remix da faixa 'Prata', com participação de Adora Black, presente no álbum Cósmica (Remix).
"A parceria nasceu da vontade de estar unidos em comunidade e também em musicalidade. Nos entrosamos cada vez mais e fomos construindo esse lugar de admiração e vontade de estar viajando e fazendo as pessoas dançarem", destaca Queen. Para ela, a presença do produtor na turnê também contribui para ampliar o alcance do show junto ao público internacional.
A presença de uma artista drag queen brasileira nos palcos norte-americanos também carrega um peso político significativo, principalmente diante de um contexto global ainda atravessado por debates intensos sobre direitos LGBTQIAPN+. Nesta perspectiva, Grag entende sua atuação como parte de um movimento maior.
"Desde a primeira vez que apareci na TV venho gritando de peito aberto sobre de onde eu venho", afirma. A artista ressalta o orgulho de integrar um "clã de drags latinas" com capacidade de quebrar paradigmas. "Ser aplaudida em lugares que, muitas vezes, dizem que não pertencemos por diversos recortes, é sim um ato político e estarei sempre muito disposta a estampar essa bandeira. A arte tem muito poder!", crava.

Apesar dos avanços na visibilidade da arte drag, Grag reconhece que ainda há obstáculos a serem enfrentados. "A arte rompe barreiras por si só! Nada segura essa força!", declara. Ao mesmo tempo, ela ressalta que a arte drag carrega múltiplas camadas de significado e vem sendo cada vez mais reconhecida com seriedade.
"As barreiras, independente do tamanho, sempre vão existir, e que a gente siga rompendo através da nossa arte, das nossas histórias e nossos corações", reflete. A reafirmação da arte drag e brasileira no espectro global é um das maiores comprovações de Grag Queen: "Que todo esse molho de axé que nos envolve respingue no mundo com um pouco de amor e esperança", conclui.

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