Entrevista

IDLIBRA celebra show no Lollapalooza e reforça luta por representatividade trans: "É preciso mudar"

Libra Lima fala sobre identidade, política e o impacto de ocupar grandes espaços
01/04/2026 16:00
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IDLIBRA(foto: Ian Rassari)

IDLIBRA

IDLIBRA trouxe toda sua potência no Lollapalooza Brasil 2026, no último dia 22 de março, e transformou o palco em um território de experimentação sonora e identidade. Em um dos maiores festivais musicais do mundo, Libra Lima realizou uma apresentação que conquistou o público, e consolidou um momento importantíssimo de sua trajetória, iniciada em 2016, e impulsionada pelo lançamento do EP CONTRACURRA (2025), em outubro do ano passado.

Em entrevista exclusiva ao Observatório G, a artista, de 28 anos, natural de Olinda (PE), apostou em uma apresentação estratégica, visando o público diverso presente. "Grandes palcos são a oportunidade de juntar suas melhores cartas, tudo que foi marcante e é expressivamente parte da sua essência artística", reflete. Para ela, o desafio foi trazer sua essência em uma experiência "tridimensional", cujo resultado ela mesma define como um "megazord" de sua obra.

A mistura de bregafunk, techno, ballroom e outras vertentes é um dos pilares de IDLIBRA, que constrói sua sonoridade na contramão de rótulos fixos. Segundo ela, tudo é tratado de forma orgânica: "Minhas referências são exatamente dos lugares que eu estive, então, pra mim, é confortável poder experimentar e de alguma maneira poder quebrar ou não essas regras prescritas", destaca.

IDLIBRA
IDLIBRA (Foto: Ian Rassari)

'CONTRACURRA'

O EP CONTRACURRA, que traz a dançante 'Acelerá', parceria com Tremsete, como carro-chefe do projeto, surge, neste contexto, como um ponto de maturidade. Libra observa no projeto uma afirmação mais segura de si enquanto produtora musical. "Eu sinto que a projeção nacional se deve a caminhada e trajetória do meu trabalho ao longo desses últimos anos, da minha vontade de me fincar no mercado, agora muito mais segura e afim de poder pensar a produção individualmente também", diz.

O conceito do EP, no entanto, vai além da música. O termo "curra", como ela explica, faz parte de um vocabulário do pajubá nordestino, associado a experiências de violência vividas, acima de tudo, por pessoas trans. Com a ressignificação da palavra no título, IDLIBRA transforma dores em uma potência criativa, ocasionada no encontro de suas vivências nas ruas.

IDLIBRA (Foto: Ian Rassari)

"É preciso mudar"

A percepção política se intensifica quando é feito um balanço de sua presença em um festival como o Lollapalooza. Como uma artista trans e nordestina, IDLIBRA reconhece que sua participação carrega uma responsabilidade simbólica. "Existe sempre um excesso de simetria, matemática e minimalismo", ressalta, ao descrever uma estética que também dialoga com elementos sensoriais como madeira, densidade e eletricidade.

Ainda assim, sua jornada também evidencia os percalços de uma indústria que impõe entraves para artistas do Norte e Nordeste no mainstream. "O que precisa mudar é o pensamento curatorial desses ambientes", destaca.

IDLIBRA
IDLIBRA (Foto: Ian Rassari)

Primeiro álbum

No cenário da música eletrônica brasileira, IDLIBRA destaca os avanços, especialmente na visibilidade de artistas trans. Todavia, ressalta que essas conquistas ainda estão restritas as chamadas 'bolhas', que ainda não alcançam a grande massa. "Ainda estamos muito longe de garantir espaço e condições ideais para a maioria dessa população", aponta.

Após um marco como o Lollapalooza, a artista retorna para as origens, e, num processo de criação de seu primeiro álbum - ainda sem previsão de lançamento -, ela revela uma aproximação cada vez maior com o universo multicultural do Recife, e com as referências de sua terra. "Eu já pesquisei de tudo e desde que comecei a produzir som eu venho entendendo a carga referencial que eu tenho do meu lugar, mas que sempre esteve presente de uma forma mais pontual ou intrínseca nos ritmos mais club que eu sempre interessei", pontua.

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IDLIBRA (Foto: Ian Rassari)

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