MÚSICA

"A gente tá começando a se conscientizar e a perceber quem somos", declara Sandra de Sá, ícone LGBTQIAPN+ da música brasileira, em entrevista exclusiva

18/09/2026 12:59
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A cantora e compositora Sandra de Sá

A cantora e compositora Sandra de Sá

Nesta edição, celebraremos a obra da magistral cantora e compositora Sandra de Sá que, aos 71 anos, ainda cativa diferentes gerações com sua música potente e verdadeira.

Ao final traremos uma entrevista exclusiva que Sandra nos concedeu, na qual ela solta o verbo sobre questões muito pertinentes para questões bem atuais no nosso país.

Sandra de Sá, nascida Sandra Christina Malafaia Frederico de Sá, nasceu em uma família completamente musical e bastante consciente da sua ancestralidade africana. Seu avô, Manoel, era cabo-verdiano e trazia consigo toda a beleza e majestade da cultura musical dos nossos irmãos ilhéus.

Nonô, o pai de Sandra, era baterista e, havia mais músicos na família. Sandra teve um tio e um tio avô trombonistas e uma tia que estudava acordeon. Além do Tio Paulo, professor de harmonia, que afinava o seu violão quando ela ainda era iniciante no instrumento.

Eram tantas pessoas dedicadas à música na família de Sandra de Sá que, durante o carnaval, dividiam-se em dois grupos, formando duas bandas de música para fazer um som e brincar no período carnavalesco.

Porém, é necessário destacar a importância que teve o seu Tio Jorge na formação dela e no seu gosto estético voltado para a black music americana e brasileira. A experiência de acompanhar o tio aos finais de semana nas lojas de discos para comprar e ouvir a cada semana um novo trabalho foi muito significativa para a formação cultural e emocional de Sandra de Sá.

Foi justamente por influência do Tio Jorge que Sandra de Sá se afeiçoou ao Movimento Black Rio, que, em meados dos anos 1970, teve uma grande força entre a juventude carioca, sobretudo a juventude negra, que buscava representatividade no período ainda difícil da ditadura militar(1964-1985). Nessa época, Sandra de Sá ganhou vários prêmios locais de dançarina de soul music nos festivais locais ocorridos nos mesmos pontos onde se realizavam os bailes blacks.

No final dos anos 1970, Sandra de Sá integra o grupo Eledo Luz, do qual também participava o cantor e compositor Altay Veloso. Esta seria a primeira experiência profissional de Sandra no métier da música.

Em 1978, Leci Brandão grava “Morenando”, composição de Sandra, no álbum “Metades”, mostrando a um público maior o trabalho autoral da então desconhecida compositora.

Sandra de Sá estava no nono período do curso de Psicologia da Universidade Gama Filho, quando o inesperado chamado da música lhe soprou ao ouvido.

Por influência da amiga Fafy Siqueira, Sandra se inscreveu no Festival MPB 80 e ficou entre as 10 finalistas com a canção “Demônio Colorido”, que se transformou num sucesso nacional, projetando seu nome e impulsionando sua carreira com a gravação de um Compacto Simples e, no mesmo ano, um LP pela gravadora RGE.

Deste primeiro trabalho destaco um clássico do Pessoal do Ceará, a canção “Cavalo Ferro”, composição de Fagner e Ricardo Bezerra com os arranjos assinados por Perinho Santana, que também assina os arranjos da belíssima “Mucama”, composição de Ronaldo Malta. Sublinho também a faixa “É”, composição magistral de Gilberto Gil com arranjos primorosos de Lincoln Olivetti. Também merecem realce o blues “Receio de Errar” de Mauro Marcondes e Caíto, além de “Cantar” de Sandra e Fafy Siqueira e “Demônio Colorido”, composição também de Sandra. Estas três tiveram os arranjos assinados pelo genial Oberdan Magalhães, fundador da Banda Black Rio. Também é válido mencionar que a produção e direção artística deste álbum ficou a cargo de Durval Ferreira.

Em 1982, Sandra de Sá lança também pela RGE o seu segundo disco, que abre com o clássico “Olhos Coloridos”, composição de Macau, que se tornaria um dos hinos da Música Preta Brasileira. A faixa teve os arranjos assinados por Serginho Trombone, trombonista da famosa Banda Abolição, liderada por Dom Salvador. Outras canções deste álbum merecem ser evidenciadas. Uma delas é “Quero Ver Você Dançar” de Ton Saga, com arranjos de Cláudio Stevenson. Também friso o blues “Amor Meu” de Luiz Melodia e Ricardo Augusto, com arranjos de Oberdan e “Negra Flor” de Durval Ferreira, Paulo César, Luís Mendes Júnior e Gastão Lamounier Neto, com arranjos de Cláudio Stevenson.

O terceiro álbum, “Vale Tudo”, de 1983, lançado mais uma vez pela RGE, trouxe algumas preciosidades. “Candura” de Cassiano e Denny King com arranjos de Lincoln Olivetti é uma das melhores do disco. A deliciosa “Pela Cidade” de Durval Ferreira, Rose e César e arranjos também de Lincoln Olivetti também merece ser mencionada, além de “Onda Negra” de Irinéia Maria Ribeiro, com arranjos de Lincoln Olivetti. Não poderíamos deixar de fora a faixa-título “Vale Tudo”, composição de Tim Maia, que divide os vocais com Sandra de Sá e também assina os arranjos. A última canção que saliento deste álbum é “Terra Azul”, belíssima composição de Gastão Lamounier Neto e Luís Mendes Júnior com arranjos de Lincoln Olivetti.

Sandra de Sá lança em 1984 pela Som Livre um dos melhores álbuns de sua carreira, no qual passa a experimentar outras sonoridades até então inéditas em sua discografia. Deste álbum destaco “Batikum”, composição de Nelson Motta e Lulu Santos, que também toca violão Gibson na faixa. Nela, também chamo a atenção para os demais músicos: Fernando Alves ao baixo elétrico, Ubirajara à percussão, Pi ao piano Fender Rhodes, ao piano Yamaha e aos vocais, Claudio Stevenson à guitarra, Paulo Cesar Ferreira à bateria Yamaha, Ubirany Nascimento ao tamborim e ao repique, Sérgio Boré e Marçalzinho às percussões, Marçal à cuíca, tamborim e pandeiro. A faixa teve os arranjos assinados por Lulu Santos e Pi(Reginaldo Francisco).

Neste álbum Sandra também nos brinda com um resgate de cantigas ancestrais de Domínio Público no medley Canto de Oxóssi(Nação Angola)/ Canto de Oxum(Nação Ijexá). A faixa trouxe Laudir de Oliveira ao rum, tumba e cowbell, Massa às congas e rumpi, Sérgio Boré ao quinto e ao lé e Pi ao vocal.

Também merece destaque neste álbum “Sem Conexão Com o Mundo Exterior” de Cazuza e Frejat. A canção conta com a rapaziada no Barão Vermelho no instrumental, incluindo a participação de Cazuza aos vocais.

Outra particularidade deste álbum é a sobreposição na faixa 8 da canção “I’m Fool To Want You” de Jack Wolf e Frank Sinatra na voz de Billie Holiday. Aqui, Sandra de Sá presta uma homenagem à grande diva do jazz, uma vez que esta foi a última gravação de Billie Holiday, com acompanhamento da orquestra de Ray Ellis.

Do álbum de 1984 ainda chamo atenção para o blues “Frequentemente” de Guto Graça Melo e Naila Skorpio, que contou com Luiz Alves ao contrabaixo, Paulo Cesar Ferreira à bateria Yamaha, Claudio Stevenson à guitarra e Pi ao piano.

A última canção do álbum de 1984 que destaco é “Puro Som” de Ruban Barra e Graça Mota. A faixa contou com Bidinho Spínola ao trompete, Reinaldo Arias no piano Fender Rhodes, Pi ao piano Yamaha e aos vocais, Claudio Stevenson à guitarra, Paulo César Ferreira às baterias Simmons e Yamaha, Eduardo Morelenbaum à clarineta, Leo Gandelman ao saxofone soprano e saxofone alto, Zé Carlos Bigorna ao saxofone tenor, Sérgio Boré à percussão, Sérginho Trombone ao trombone, Jorjão aos teclados e Paulinho Trompete ao trompete. A faixa teve arranjos de Lincoln Olivetti e Pi.

Neste mesmo ano de 1984, Sandra de Sá gravou “Enredo do Meu Samba” de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão para a abertura da novela “Partido Alto” da TV Globo.

Em 1986, Sandra grava pela RCA Victor um álbum que configura como um dos maiores êxitos comerciais de sua carreira.

O álbum abre com “Retratos e Canções”, composição dos hitmakers Michael Sullivan e Paulo Massadas. A canção seguinte é outro grande sucesso comercial composto pela mesma dupla: “Joga Fora”. Na sequência, surge “Solidão”, composição de Chico Roque e Carlos Colla. Do álbum, também sublinho “Não Vá”, composição da própria Sandra em parceria com Mirna. Merecem destaque também a afetuosa “Mora No Coração” de Prêntice e Gabriel O’Meara e “Lobo Mau” de Lincoln Olivetti, Robson Jorge, Júnior Mendes e Cláudia Olivetti.

Do álbum de 1988, lançado pela RCA, destaco “Amanhã” de Michael Sullivan e Paulo Massadas, que contou com participação especial de Billy Paul. Também merece atenção o instrumental da canção: o baixo elétrico de Jorge Helder, o saxofone alto de Zé Carlos Bigorna, os teclados de Lincoln Olivetti e a bateria de Paulo Cesar Ferreira. A faixa também conta com um coro extraordinário formado por Jurema de Cândia, Solange, Claudia Olivetti, Junior Mendes e Zilma Gonçalves. Os arranjos da faixa foram assinados por Lincoln Olivetti. Do mesmo álbum, destaco o hit “Bye Bye, Tristeza” de Marcos Valle e Carlos Colla, que teve a mesma composição de instrumentos e vozes da canção anterior, porém, nesta faixa, os arranjos foram assinados por Don Ney. Ainda sublinho a exuberante canção “África” de Gil Gerson e César Rossini. A canção contou com o baixo elétrico de Jorge Helder, a percussão do Marçalzinho, a bateria do Paulo Cesar Ferreira e os teclados do Lincoln Olivetti. O coro dessa canção é formado por Viviane Carvalho, Renata Corrêa e pelos irmãos Mário e Regina Corrêa(Trio Esperança) e Roberto Corrêa(Golden Boys). Vale ainda destacar: “Alma Gêmea” de Sullivan e Massadas; “Tempo” de Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, com participação dos Titãs no instrumental; a caribenha “Calibre Grosso” de Efson e Odibar, que traz uma reverência mais do que merecida aos países da América Central; “Sai Dessa”, composição dos jovem-guardistas Ed Wilson e Lilian Knapp.

O álbum “Sandra!” é lançado em 1990. Gravado e lançado pela RCA/BMG e produzido por Nelson Motta e Guto Graça Mello, esse disco mostrou um pouco mais da artista multifacetada que Sandra de Sá sempre foi.

Deste álbum destaco “Slogan” de Cassiano, com participação nos vocais de Djavan e Marina Lima. Esta canção contou com Don Chacal à percussão, Áurea Regina à gaita(harmônica), Guto Graça Mello às cordas, baixo elétrico, kalimba e piano, Nilo Pinta à guitarra, Paulinho Black à bateria, Paulo Esteves aos teclados, Carlinhos Brown à percussão e Fernando Souza ao baixo elétrico. O coro foi composto por: Gerson Santos, Ronaldo Barcellos da Silva, Nina Pancevsky e Marisa Fossa.

Também destaco o belíssimo jazz “Como Um Rio”, versão de Nelson Motta para “Cry Me a River” de Arthur Hamilton, canção imortalizada na voz de Ella Fitzgerald.

Outro ponto alto do disco é a canção “Mandela”(Ronaldo Barcellos/Guto Graça Mello), que celebrava a libertação de Nelson Mandela da prisão, ocorrida no dia 11 de Fevereiro de 1990.

Deste álbum também destaco: o samba-reggae “Charles, Anjo 45” de Jorge Ben Jor, com participação especial do grupo Olodum; “Cinzas” de Cassiano, que contou com o auxílio luxuoso do trompete de Marcio Montarroyos e, por fim, destaco “Ninguém Comigo Agora” de Frejat.

Do álbum “Lucky” de 1991 lançado pela BMG/Ariola, evidencio “Contrato Assinado” de Chico Roque e Paulo Sérgio Valle, que conta com os arranjos de Lincoln Olivetti e arranjo vocal de Guto Graça Mello. Também merece destaque a regravação de “Mais do Mesmo” do repertório da Legião Urbana, composto por Renato Russo, Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. A canção conta com participação de Lobão aos vocais. Nesta faixa, Lobão também toca bateria. A faixa também conta com a guitarra solo de Claudio Celso e Marcio Lomiranda ao órgão. Os vocais ficaram a cargo de Nina, Maria, Ronaldo e Pedrão. O último destaque do álbum vai para “Se Liga” de Marcos Valle e Carlos Colla e para a deslumbrante “Blues da Piedade” de Cazuza e Frejat. A faixa teve arranjos de Guto Graça Mello e Márcio Lomiranda, que também foi responsável pela programação de bateria e tocou os teclados da canção. A música teve Claudio Celso na guitarra e o coro marcante formado por Nina Pancevsky, Marisa Fossa, Ronaldo Barcellos e Pedrão.

Do álbum “D’Sá”, lançado pela BMG/Ariola em 1993 destaco “Dou a Volta Por Cima” de Augusto César e Paulo Sérgio Valle, que contou com o próprio Augusto à guitarra, os arranjos, teclados e programação de Lincoln Olivetti e o coro formado por Nina Pancevsky, Chico Puppo, Ana Leuzinger, Márcio Lott e Mário Corrêa. Também enfatizo o samba-rock “Perdidamente Apaixonado” de Jorge Cardoso e Beto Correia, cujos arranjos foram assinados por Sérgio Trombone, que também toca trombone na faixa. A canção conta com os teclados do Lito Figueroa, a guitarra do Marcelo Scobino, o baixo do Renato Rocket, a bateria do Antonio Scobino, o violão do Jorge Cardoso, o sax barítono do Leo Gandelman, o sax tenor do José Carlos, os trompetes do Formiga e do Bidinho e as congas, o surdo e o ganzá do Camilo Mariano.

Deste álbum ainda destaco um medley com três clássicos da dupla Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira: “Baião”, “Xote das Meninas” e “Qui Nem Jiló”. Esta faixa teve arranjos de Zé Américo, que também tocou os teclados, junto com Lito Figueroa. À guitarra ficou a cargo de Marcelo Scobino, à bateria tivemos Antonio Scobino, ao baixo Renato Rocket e à percussão Camilo Mariano.

Também focalizo deste álbum a canção “Free Lance”, composição da Sandra de Sá com o Macau. Os arranjos desta faixa ficaram a cargo do Lito Figueroa, que também tocou os teclados. À guitarra está o Marcelo Scobino, ao baixo o Renato Rocket, à bateria o Antonio Scobino e aos vocais temos Marisa Fossa, Renato Rocket, Lito Figueroa e Marcelo Scobino.

Outra canção emblemática deste álbum é “No Morro Não Tem Play” de Ivo Meirelles, que contou com a participação do Barão Vermelho nos instrumentais, com direito ao vocal do Frejat, junto com Ronaldo Barcellos.

O último destaque do álbum é “Anjo Vaidoso” de Jorge Ben Jor, que teve os arranjos assinados por Lito Figueroa, que também toca os teclados na faixa. A faixa teve a contribuição do Antonio Scobino à bateria, Marcelo Scobino à guitarra, Renato Rocket ao baixo e aos vocais Lito, Renato, Marcelo e Marisa Fossa.

Em 1995, Sandra de Sá lança pela Som Livre o álbum “Olhos Coloridos”, no qual, além de regravações, lança as inéditas: “Tudo Muito Tudo”(Sandra de Sá/Macau), “Help de Ninguém”(Lennon/McCartney, versão: Ronaldo Bastos/Sandra de Sá), “17 Anos de Vida”(Cazuza/Frejat), a gravação do sucesso de Marina Lima “Virgem”(Marina Lima/Antônio Cícero) e “Picadinho de Macho”(Tavito/Aldir Blanc), tema de abertura da novela “Quatro Por Quatro” da TV Globo.

Sandra de Sá lança em 1996 pela Warner Music o álbum “A Lua Sabe Quem Eu Sou” do qual destaco: “Vamos Viver”(Herbert Vianna), “Lua” de Pedro Abrunhosa e “Telefone”(Júlio Barroso/Herman Torres), sucesso do grupo Gang 90 & Absurdettes nos anos 1980. Destaco ainda “Soul de Verão”, versão em português de Nelson Motta para a canção “Fame” de Michael Gore e Dean Pitchford, sucesso da cantora Irene Cara nos anos 1980. Do álbum ainda merecem destaque “Ecânico” de Carlinhos Brown, “Não Posso Mais” de Pedro Abrunhosa, “Sozinha” de Peninha, “Não Adiantou Saber”, versão de Sandra e Ronaldo Bastos para a canção “I Might Be Crying” de Tanita Tikaram. O álbum encerra com a transcendental “Koo-Lei-Lei” de Sandra e Kevin Mulligan.

Em 1998, Sandra de Sá lança pela Warner, com produção de Guto Graça Mello, “Eu Sempre Fui Sincero, Você Sabe Muito Bem”, um tributo memorável ao seu amigo Tim Maia.

Deste álbum destaco “Azul da Cor do Mar”, composição de Tim Maia, que, nesta faixa conta com o auxílio da percussão de Luis Conte, os teclados de Bill Brendle e Márcio Lomiranda, o violão e a guitarra de Tim Pierce, o baixo elétrico de Dunga, o EWI de Steve Tavaglione e os teclados de Márcio Lomiranda. No coro, tivemos a participação de Lourenço Olegário dos Santos, Marisa Fossa, Ronaldo Barcellos e da própria Sandra de Sá. Este mesmo coro é o grande destaque da faixa seguinte: “Sossego”(Tim Maia). Outra canção que merece destaque é “Razão de Sambar/Meu Samba”, sobretudo o naipe dos metais: o trombone de Bill Reichenbach e os trompetes de Jerry Hey e Gary Grant. Também merecem atenção “Eu Amo Você”(Cassiano/Sílvio Rochael), “A Festa do Santo Reis”(Márcio Leonardo) e “Você Se Decide”, versão de Tim Maia para “You’re The Star Of My Show”, composição de Allen Jones, Bertram Brown, Terry Bartlett, Vince Williams e William Sumlin, canção do repertório do grupo americano Kwick.

Em 1999, Sandra de Sá participa do Songbook de Chico Buarque, interpretando a canção “O Meu Guri”, acompanhada pelo violão de João Lyra, o bandolim de Pedro Amorim, a percussão de Zero Telles, o contrabaixo de José Pienasola e o piano de Leandro Braga, também responsável pelos arranjos da faixa.

Em 2000, Sandra de Sá lança ainda pela Warner o álbum “Momentos Que Marcam Demais”, do qual destaco “Outra Onda”(Peninha) e “Um Tiro No Coração”(Nando Reis), com participação especial de Cássia Eller nos vocais. Também merecem destaque “Momentos Que Marcam”(Paulo Zdanowski/Marcos Neto), “Fogueira”(Paulinho Soledade/Paulo Henrique) e “Dançando Com a Vida”(Sandra de Sá/Zé Ricardo/Gabriel O Pensador/Ana Lima), com participação especial de Gabriel O Pensador nos vocais. Destaco ainda “Faço de Tudo”(Renata Arruda/Sandra de Sá/Paulinho Galvão), “Nós”(Renata Arruda/Sandra de Sá) e “Soul”(Pedro Luís) do repertório do grupo Pedro Luís e a Parede. Nesta gravação, Sandra conta com a participação nos vocais de Marcelo Falcão da extinta banda O Rappa.

Em 2001, Sandra de Sá participou do álbum “Ouro de Minas” do Roupa Nova, interpretando “Tudo O Que Você Podia Ser”(Lô Borges/Márcio Borges), clássico do repertório do Clube da Esquina.

Em 2002, Sandra de Sá lança pela Universal Music o formidável CD “Pare, Olhe, Escute” na qual canta versões em português de hits lançados pela gravadora estadunidense Motown Records, especializada em música negra americana.

Deste álbum destaco a primeira faixa “Qual É?”, versão de Nelson Motta para “What’s Going On”, composta por Marvin Gaye, Renaldo Obie Benson e Al Cleveland. A faixa-título “Pare, Olhe, Escute” é uma versão de Sandra de Sá e Thedy Correia para “Stop, Look, Listen” de Thom Bell e Linda Creed. A canção conta com participação de Ed Motta aos vocais. Destaco ainda “Fala Sério”, versão de Ivo Meirelles, Sandra de Sá e Max Vianna para “Brick House” de Lionel Richie, Milan Williams, Walter Orange, Ronald LaPread, Thomas McClary e William King. Sublinho também “A Paz”, versão de Sandra de Sá, Zé Ricardo e Adriana Milagres para “My Girl” de Smokey Robinson e Ronald White. Outra canção que merece atenção é “Nada Mais”, versão de Ronaldo Bastos para “Lately” de Steve Wonder. “Nada Mais” foi gravada com grande sucesso por Gal Costa nos anos 1980 e, nesta gravação de Sandra de Sá, Djavan faz uma participação especial aos vocais. Por fim, destaco ainda deste álbum a faixa de encerramento “Se Liga, Brother”, versão de Sandra de Sá e Thedy Correia para “I Want You Back” de Berry Gordy, Freddie Perren, Fonce Mizell e Deke Richards.

Do álbum “Música Preta Brasileira-Ao Vivo” lançado pela Universal Music em 2003, destaco o medley de “Boralá” de Sandra de Sá com “Rap” de Gabriel O Pensador e Aninha Lima. A faixa tem participação especial de Gabriel O Pensador nos vocais. Também merece destaque a regravação de “Não Vá” com participação de Toni Garrido. Outros destaques são “As Dores do Mundo” de Hyldon e “Black Is Beautiful”, composição dos irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle que veio do repertório de Elis Regina. Nesta gravação Sandra é acompanhada pelos vocais de Alcione e Luciana Mello. Destaco ainda a inédita “Não Pode” de Yara e Tulla.

Em 2010, Sandra de Sá lança pela Universal Music “ÁfricaNatividade-Cheiro de Brasil”. Deste álbum destaco “Crioulo”, composição da Sandra com Macau. Também merece destaque “Baile No Asfalto” de Sandra e Mombaça com participação especial de Seu Jorge. Também destaco “Tem Alguma Coisa Errada Aí”(Sandra de Sá/Macau), “Saudade da Gente”(Sandra de Sá/Zé Ricardo) e as bossas “Viver Pra Viver”(Sandra de Sá/Zé Ricardo) e “Copacabana”(Sandra de Sá/Zé Ricardo), mostrando, numa instigante crítica social, o lado menos glamouroso do bairro e da cidade maravilhosa.

Do álbum “ÁfricaNatividade-30 Anos-Ao Vivo” lançado pela Universal em 2011, destaco “Imaginação”(Sandra de Sá) com participação especial de Elba Ramalho, a regravação de “Olhos Coloridos” com o Jongo da Serrinha e “Movimento”(Luiz Caldas/Sandra de Sá/César Rasec), com acompanhamento da Bateria da Mangueira e Caprichosos de Pilares.

Em 2015, Sandra lança pelo selo digital Sonora o álbum “Lado B”, com algumas regravações e as inéditas “Vou Ficar”(Edmon Costa/Beto Coutinho/Glauco Campelo) e o funk carioca “Freneticão”(Sandra de Sá/DJ Detona) com participação do DJ Detona.

A partir de 2021, Sandra de Sá começa a se dedicar ao lançamento de singles. Neste mesmo ano, acompanhando o grupo Yahoo, regrava “Certas Coisas”(Lulu Santos/Nelson Motta).

Em 2023, junto com Toni Platão, Sandra regrava “Seguindo Estrelas”(Herbert Vianna) e também o single “Fogo”(Sandra de Sá/Ronaldo Bastos/Celso Fonseca).

Em 2025, junto com Fi Bueno, lança o single “Menina da Pompeia”(Fi Bueno).

Em 2026, ao lado do grupo de thrash metal brasileiro Black Pantera, garava a potente e ancestral “Quando Canto”(Rodrigo Pancho/Chaene da Gama/Charles Gama).

Para nos debruçarmos com mais intensidade sobre a obra de Sandra de Sá, traremos uma entrevista exclusiva que ela nos concedeu após o show do Festival Palco Brasil.

A entrevista pode ser lida na sequência.

Observatório G: Você sempre disse que o Brasil tem a melhor música do mundo, mas que, ao mesmo tempo, o nosso país é refém da indústria da anticultura. Como você acha que é possível driblar essa indústria e o que a imprensa, de modo geral, poderia fazer para o Brasil conhecer o Brasil?

Sandra de Sá: Sabe, brother, às vezes nem precisa driblar, é só ter consciência do que a gente é e fazer o que a gente é capaz de fazer. Eu acho que é só a gente se conscientizar disso. Hoje, no show, o papo que a gente levou mostra que a gente tá no caminho certo. A parada é essa: é a gente se conscientizar do que a gente é, do que a gente pode e parar de ser refém dessa galera, sabe? Tem muita gente que não é do ramo, mandando numa parada que não sabe qual é e que não entende qual é. Então, o grande lance é a gente parar de reclamar pra caraca e começar a se conscientizar e trabalhar em cima disso.

Observatório G: O Frantz Fanon tem uma frase na qual ele diz que “cada geração deve descobrir a sua missão, cumpri-la ou traí-la”. Você acha que a sua geração cumpriu a missão dela?

Sandra de Sá: Não cumpriu, não…continua cumprindo(rindo). É incrível o encontro das gerações na música. Inclusive hoje eu tô muito feliz porque saiu um álbum do Arnaldo Baptista com várias interpretações, inclusive eu tô participando desse lance e tem gente nova participando também. Eu acho incrível isso. Um tributo ao Arnaldo Baptista que, inclusive, traz músicas de um álbum dos anos 70 e tem um pessoal de agora, dessa nova geração, gravando as paradas dele, sacando, descobrindo…Eu acho que o grande lance é a gente saber quem somos nós. Conhecer nosso som, nossa música. É o que eu digo sempre: é sair pra dentro pra entrar pra fora.

Observatório G: Você sendo mulher, negra e LGBTQIAPN+, percebeu alguma mudança nesses últimos anos na forma como a sociedade lida com essa questão do machismo, do racismo e da lgbtfobia? Você percebeu algum progresso na mentalidade das pessoas e em relação aos direitos desses grupos?

Sandra de Sá: Eu acho que a gente não pode ficar só dependendo dos outros, temos que depender também da nossa consciência. É o que eu digo, a gente tem que parar de correr atrás e chegar junto. Eu acho que, aos poucos, é isso o que está acontecendo. A gente está começando a se conscientizar e a perceber quem somos. Eu falo isso a partir do meu olhar de brasileira, a partir do Brasil. A gente está percebendo quem a gente é e o que a gente pode fazer. Eu acho que é isso. E repito: é papo de parar de correr atrás e chegar junto. Eu falo: corri atrás e cheguei depois…nem deu pra ver. Corri na frente, quando cheguei na frente tava sozinho e não deu pra fazer porra nenhuma. Então, o grande lance, é chegar junto! E vamos chegar juntos! Estamos chegando!

Sandra de Sá é uma daquelas artistas que contribuíram para o fortalecimento da nossa identidade musical, sobretudo quando reforça a beleza e exuberância da matriz negra da música brasileira, no que ela tem de universal e de mais singular.

Por essas e outras, sua obra e sua vida merecem sempre ser celebradas!

Viva, Sandra de Sá!

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