(foto: Fabio Rocha/Globo)Breno Ferreira em Jogada de Risco
A primeira temporada de Jogada de Risco, série do Globoplay, chegou ao fim nesta última quinta-feira (12), e ao longo de sua exibição trouxe uma repercussão ao colocar a sexualidade de um jogador de futebol como um dos temas principais. Na trama, Geraldo, personagem vivido por Breno Ferreira mantém sua orientação sexual em segredo e vive um relacionamento com outro homem.
A abordagem reacendeu um debate que ultrapassa a ficção ainda encontra paralelos no futebol profissional, onde são raros os atletas homens assumidamente gays em grandes clubes. Para Tristan Pineiro, SVP de Marketing e Comunicação do Grindr, a dificuldade de jogadores assumirem publicamente a própria sexualidade está diretamente relacionada à histórica associação do futebol com uma ideia rígida de masculinidade.
Em entrevista exclusiva ao Observatório G, ele avalia que, apesar dos avanços, ainda há um caminho longo para que atletas LGBTQIA+ se sintam seguros para viver suas identidades abertamente. "Historicamente, o futebol esteve ligado a uma ideia muito rígida de masculinidade, e o fato de ainda existirem tão poucos jogadores homens assumidamente gays no mais alto nível sugere que essas visões tradicionais não desapareceram e que nem todo mundo se sente igualmente confortável para ser aberto sobre quem é", reflete.
Ao mesmo tempo, Pineiro identifica sinais de transformação, especialmente fora dos campos. Segundo ele, a presença de torcedores LGBTQIA+ nos estádios e em grandes torneios está cada vez mais evidente. "Essa visibilidade ajuda a desafiar essa velha ideia de que ser gay e amar ou jogar futebol são coisas de alguma forma incompatíveis. Quanto mais naturalmente vemos essas histórias, mais normais elas se tornam", avalia.

Fora das quatro linhas, aplicativos de relacionamento, como o Grindr, podem servir de apoio para pessoas que ainda não se sentem confortáveis em expor sua vida íntima. Para quem vive sob os holofotes, a possibilidade de estabelecer conexões sem necessariamente tornar a vida pessoal pública pode ser especialmente relevante.
Essa realidade é reforçada quando muitas pessoas LGBTQIA+ recorrem a estas plataformas para preservar aspectos da própria intimidade. No caso de jogadores que ainda não assumiram publicamente a sexualidade, o receio de julgamentos, exposição e possíveis consequências profissionais pode tornar o sigilo ainda mais delicado. "Ser uma figura pública não significa que todos os aspectos da sua vida precisam ser públicos", acrescenta o executivo.
Para ele, esse princípio básico está no centro da atuação do Grindr. A empresa também busca desenvolver ferramentas que permitam aos usuários determinar como e quando suas informações são compartilhadas. "Nosso papel é oferecer às pessoas as ferramentas e o controle para que possam se conectar em seus próprios termos. A conexão nunca deve acontecer às custas da privacidade", destaca Pineiro.
A discussão sobre privacidade também se liga a um dos maiores desafios enfrentados por aplicativos de relacionamento como o Grindr: a garantia pela busca por novas conexões que não custe a vida dos usuários. Casos de preconceito, emboscadas, exposição e crimes contra pessoas LGBTQIA+ mostram que o ambiente digital não está dissociado dos riscos existentes fora dele.
Nesse contexto, a segurança passa a ser tão importante quanto a possibilidade de conexão. E, segundo Pineiro, a autonomia do usuário deve estar no centro dessa experiência. A preocupação se torna uma prioridade quando o aplicativo é consumido por usuários que, por medo do julgamento social, ainda não conseguem viver sua sexualidade abertamente.
"Ser gay no maior esporte do mundo ainda não é considerado aceitável por uma parcela significativa dos torcedores, e isso faz parte da realidade com a qual esses jogadores precisam lidar", afirma Tristan.
Enquanto nas telinhas, Jogada de Risco evidencia a experiência de quem ainda precisa esconder a própria sexualidade dentro do futebol, fora dela, a comunidade LGBTQIA+ vem ocupando os espaços esportivos de maneira cada vez mais visível. "Grandes eventos esportivos não são mais apenas sobre esporte. São momentos culturais em que futebol, música, moda e identidade se encontram", explica Pineiro.
Nesse contexto, o Grindr age como uma ferramenta de localização e conexão para pessoas que chegam a uma cidade desconhecida em busca de companhia. "Também existe algo muito simples na ideia de encontrar segurança estando em grupo. Encontrar outras pessoas queer ao seu redor pode fazer com que uma cidade nova ou um evento gigantesco pareça um pouco menos desconhecido", diz.
Para Pineiro, quanto mais histórias forem apresentadas com naturalidade, maior será a possibilidade de questionar a ideia de que a masculinidade e a homossexualidade são incompatíveis no meio esportivo. Nesse processo, o Grindr pretende ocupar o papel de ferramenta de conexão, sem necessariamente determinar como cada usuário deve viver sua sexualidade. "O papel do Grindr é ajudar as pessoas a se conectarem e se encontrarem, onde quer que estejam", conclui.

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