Educação

Mulher trans volta a estudar após 25 anos e conquista duas aprovações em universidade pública

Sabriiny Fogaça Lopes supera evasão escolar e ingressa na UFRRJ aos 41 anos
05/04/2026 15:00
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Sabriiny Fogaça Lopes(foto: Divulgação)

Sabriiny Fogaça Lopes

Sabriiny Fogaça Lopes foi aprovada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A mulher trans que interrompeu os estudos aos 15, após 25 anos longe da escola, retornou a formação pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), e conquistou duas aprovações na universidade pública.

A estudante foi submetida a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e utilizou a nota para ingressar na instituição no curso de Licenciatura em Educação Especial, também tendo participado do seletivo interno da instituição e foi aprovada em Licenciatura em Educação do Campo.

Para Sabriiny, a decisão de escolher Educação Especial se deu por ter sentido na pele a sensação isolamento. “Minha história é atravessada por exclusão e falta de acolhimento. Vou fazer Educação Especial exatamente para ser essa profissional que acolhe, que enxerga potencial, que transforma a sala de aula em um espaço de respeito e inclusão. Quero que outras pessoas não passem pelo que eu passei”, diz.

Ela relembra que sua trajetória escolar foi interrompida ainda quando estudava o ensino fundamental, ocasionada pelo preconceito. “Sofri muito por ser diferente. Eu me sentia desamparada. Por um tempo, achei que a escola não era um lugar para mim. Passei a duvidar do meu futuro e da minha capacidade. Mas, mesmo sem enxergar, dentro de mim ainda existia um sonho que, anos depois, me deu força para voltar a estudar e concluir minha formação”, conta.

Durante os 25 anos afastada da escola, Sabriiny construiu outras experiências e enfrentou desafios. “Foi um período longo, de silêncio e de sobrevivência. Eu segui a vida, amadureci, resisti, mas permanecia um vazio. No fundo, eu sentia que faltava algo… faltava realizar um sonho interrompido. A educação sempre esteve guardada dentro de mim como algo inacabado”, explica.

As duas aprovações na universidade pública, para ela, é uma conquista que vai além do âmbito individual. “Meninas trans pertencem à escola, pertencem à universidade, pertencem a todos os espaços. O estudo é uma ferramenta de transformação e ninguém pode tirar isso de nós. Eu sei como é difícil permanecer, mas espero que histórias como a minha abram caminhos para que outras pessoas ocupem esse espaço com dignidade. Dessa forma, será uma vitória coletiva”, pontua.

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