(foto: iStock)87% das pessoas trans evitam banheiros por medo, revela estudo brasileiro
Um estudo científico realizado pela Universidade de São Paulo (USP) acendeu um alerta importante sobre os impactos da transfobia na saúde física da população trans.
A pesquisa, conduzida na Escola de Enfermagem (EE-USP), identificou uma relação direta entre episódios de constrangimento e violência em banheiros públicos e o desenvolvimento de distúrbios do trato urinário inferior.
O levantamento em questão ouviu 131 pessoas trans e apontou que o medo, a insegurança e o julgamento social estão atravessando corpos de forma concreta. Dentre as pessoas entrevistadas, 87% afirmaram adiar ao máximo a ida ao banheiro, mesmo quando sentem vontade de urinar. Já 70% relataram que acabam urinando de forma apressada ou forçada, muitas vezes para sair rapidamente do local.
Cerca de 93% disseram já ter sentido constrangimento nesses espaços, 89% relataram insegurança e quase metade, 47%, afirmou ter sofrido transfobia diretamente ao utilizar um banheiro público. Esses comportamentos, segundo as pesquisadoras, estão estatisticamente associados a quadros como bexiga hiperativa, retenção urinária e incontinência, além de aumentarem o risco de infecções e outras complicações.
A pesquisa também aponta que as principais razões para evitar banheiros envolvem tanto questões estruturais, como a ausência de espaços inclusivos, quanto o medo real de violência e julgamento.
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