Entrevista

Dupê aposta em sonoridade revolucionária com Cyber Cangaço e celebra apoio LGBT+: "Pabllo Vittar me deu a luz"

Artista baiano reflete sobre resistência, nova fase da carreira e impacto após parceria com Pabllo Vittar
10/03/2026 16:00
COMPARTILHE
Parceiro
Terra
Dupê(foto: Marina Faria)

Dupê

O cantor Dupê apresenta ao público um novo capítulo de sua carreira, com o lançamento de Cangaço Sessions: Bahia Edition, projeto audiovisual gravado na sua terra natal, em Salvador (BA), que destaca suas origens e consolida sua proposta estética de unir forró, trap, rock e elementos urbanos.

O artista, que viralizou no TikTok ao misturar rap com ritmos nordestinos, ampliou essa fusão em um trabalho reforça a tradição e contemporaneidade, com nove faixas, revisitando clássicos de grandes nomes da música brasileira, como Pitty, Novos Baianos e Raul Seixas, reinterpretadas dentro de sua estética.

Em entrevista exclusiva ao Observatório G, Dupê reflete sobre suas influências, a força cultural da Bahia, onde ainda enfrenta preconceito pelo forró e o impacto que parcerias importantes tiveram em sua trajetória. Para ele, sua identidade artística nasce diretamente das vivências da cidade e do ambiente familiar em que cresceu.

“Essa mistura de rock e estética urbana com forró, brega e regionalidade veio muito daí. Salvador é um berço musical muito forte, artístico. A Bahia toda é um lugar diferente, então sinto que já nasci assim”, explica o cantor. Em Cangaço Sessions: Bahia Edition, Dupê destaca o forró num espaço de diálogo com gêneros urbanos contemporâneos. Para ele, essa escolha também carrega um posicionamento cultural.

“Total. Eu quero trazer de volta o destaque do forró e da regionalidade nordestina no mainstream brasileiro, junto com essa atitude rock, jovem e underground”, justifica. Apesar da crescente popularidade de misturas musicais nas redes sociais acompanhada pelo sucesso, Dupê afirma que o preconceito contra gêneros nordestinos ainda é uma realidade.

“Demais. O forró e a cultura nordestina são extremamente discriminados e xingados, só por serem da forma que são. Quando eu pegava músicas de rock internacional e colocava batida de forró, recebia ameaças e xingamentos desproporcionais”, conta.

Dupê
Dupê (Foto: Marina Faria)

Releituras de clássicos do rock

Dentre as propostas mais destacadas do projeto, está a transformação de clássicos da música brasileira em versões com uma roupagem nordestina. Segundo o artista, o processo foi natural: “Foi como cantar algo que eu já conhecia, só que da minha forma. Todos esses rocks, inclusive o rock baiano, já faziam parte de mim. Meu dever era só expressar o que eu estava ouvindo, do meu jeito”, diz.

Impacto da Pabllo Vittar e apoio LGBT+

Um dos momentos de virada na carreira do cantor aconteceu pela sua participação na faixa 'A Ceia', lançado pela cantora e drag queen Pabllo Vittar, em seu EP de Natal, Prazer, Mamãe Noel, em novembro de 2025. O convite, por sua vez, trouxe uma maior visibilidade de seu trabalho e aproximou seu nome de novos públicos.

“Mudou tudo. Eu sinto que Pabllo me deu a luz. Eu comecei a existir depois desse som. Tenho nove anos de carreira, de luta para viver de música, e a oportunidade que ela me deu foi o maior presente que recebi”, enaltece ele. Esse alcance, inclusive, também o colocou em posição de visibilidade entre o público LGBTQIAPN+, ao qual ele enxerga com gratidão, e também, com grande responsabilidade.

“Eu tenho uma enorme admiração por esse público, porque foram as pessoas que me deram uma chance de ser visto. É um público muito criativo, artístico e sensível”, diz Dupê. Ele admite, no entanto, que existe um equilíbrio delicado ao dialogar com a comunidade: “Ao mesmo tempo que quero demonstrar carinho e apoiar a causa, existe o medo de ser interpretado como alguém que está se aproveitando disso para viralizar. Ultimamente vivo buscando esse equilíbrio”, confidencia.

Dupê e Pabllo Vittar
Dupê e Pabllo Vittar (Foto: Marina Faria)

Movimento 'New Brega'

Dupê define sua sonoridade como parte de um movimento que chama de 'New Brega', inspirado na ideia de trazer novas roupagens das tradições musicais para o presente, semelhante ao impacto provocado pelo pernambucano Chico Science (1966-1997) com o manguebeat. “O que define esse subgênero é a modernização do passado, como fez Chico Science em sua época. É uma modernização constante da cultura de raiz. A gente está numa era urbana, futurista, de inteligência artificial e tecnologia. O Cyber Cangaço nasce disso. É a nova geração da música brasileira”, pontua.

Dupê
Dupê (Foto: Marina Faria)

Não deixe de curtir nossa página no Facebook e também no Instagram para mais notícias do Observatório G.

Apoio

Pride Brasil
Acessar Site

Loja física e online de produtos para o público LGBTQIAPN+ Vista-se de ORGULHO com a Pride Brasil! pridebrasil.com.br Rua Augusta, 1371, Loja 17, em São Paulo.

Mais notícias do autor

linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram