(foto: Reprodução/Instagram)Joris Lechêne
Joris Lechêne, influenciador natural de Londres, na França, usou as redes sociais e viralizou após ter relatado uma experiência utilizando o Grindr no Brasil, durante hospedagem na Rocinha, no Rio de Janeiro, considerada a maior favela do país.
No vídeo em questão, o gringo chamou atenção ao destacar como a geolocalização do aplicativo escancara, em poucos metros, as desigualdades históricas do país.
“Eu entrei no Grindr em uma favela: o lance da Rocinha é que ela fica na Zona Sul, encravada entre alguns dos bairros mais ricos do Brasil… então usar um aplicativo baseado em localização te faz atravessar rapidamente essas divisões — para o bem e para o mal… (é só para o mal)”, escreveu Joris, na legenda.
No relato, o influenciador reconheceu seu lugar como visitante estrangeiro. “Eu sei como é viver em um corpo racializado e demonizado, e sei como é crescer em um território esquecido, mas explorado por um império. Mas eu não sei como é crescer em uma favela brasileira. Sou apenas um visitante aqui na Rocinha por escolha”, afirmou. Ainda assim, o rapaz ressaltou ter sido possível perceber impactos profundos dessas dinâmicas, especialmente na forma como elas atravessam a autoestima de quem vive nesses espaços.
Dentro da própria favela, as interações seguiam um padrão considerado comum no aplicativo: conversas diretas, perfis discretos e trocas em português sem estranhamento. “A maioria é ‘sigiloso’, sem foto de perfil… mas as conversas são normais. A única diferença é quando perfis sem foto mandam imagens do quarto arrumado antes mesmo de mostrar o rosto. Fiquei tipo: o Grindr virou aplicativo imobiliário aqui? Mas faz todo sentido — onde conforto é luxo, um quarto bonito vira argumento”, analisou.
Ele contou, ainda, que o interesse inicial muitas vezes se transforma ao revelar sua localização. “Um cara disse que morava perto do metrô na Barra… mas quando mencionei que estava na Rocinha, começou a sugerir um motel em São Conrado. O que mudou?”, questionou.
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