(foto: Divulgação)Record
A Record foi condenada a pagar R$ 20 mil por danos morais a um jornalista que sofreu comentários homofóbicos durante o expediente, incluindo a expressão “bicha velha”.
A decisão foi tomada pelo juiz substituto Phelippe Henrique Cordeiro Garcia, da 83ª Vara do Trabalho de São Paulo, que reconheceu a ocorrência de discriminação no ambiente profissional. Para o magistrado, a emissora falhou ao não adotar medidas para impedir as ofensas, permitindo que comportamentos desrespeitosos atingissem a dignidade, a honra e a identidade do trabalhador.
Na ação, o editor de texto relatou ter enfrentado sobrecarga de trabalho, cobranças abusivas e manifestações homofóbicas por parte de superiores hierárquicos. Uma testemunha ouvida no processo afirmou ter presenciado comentários como “dá essa matéria para ele editar porque é sobre homossexual e ele vai entender melhor”. Ademais, afirmou ter ouvido o jornalista ser chamado de “bicha velha”, embora não tenha conseguido identificar o responsável pela ofensa.
Segundo o depoimento, o tipo de comentário era recorrente entre profissionais da pauta e da chefia, e o trabalhador demonstrava constrangimento diante das situações. A Record negou as acusações de assédio moral e homofobia.
Em sua decisão, o juiz ressaltou que o fato de as manifestações serem tratadas como brincadeiras não elimina seu caráter discriminatório. O magistrado também considerou que mensagens eletrônicas cordiais apresentadas pela emissora não eram suficientes para desqualificar os relatos sobre as agressões verbais habituais. A indenização de R$ 20 mil ao jornalista foi fixada considerando a gravidade das ofensas, a capacidade econômica das partes e o caráter pedagógico da condenação.
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