(foto: Reprodução/Instagram)Nikolas Ferreira
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manteve a condenação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) por ofensas transfóbicas contra a influenciadora transexual Kim Flores Carlos.
A decisão, assinada pela 3ª Câmara de Direito Privado, reconheceu que o parlamentar ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao publicar, em 2022, um vídeo em que dizia que Kim “se considera mulher, mas é homem”. Apesar da manutenção da condenação, o valor da indenização foi reduzido de R$ 40 mil para R$ 10 mil.
O processo teve início após o parlamentar repercutir uma publicação de Kim, que havia relatado ter sido recusada por um salão de beleza sob a justificativa de que o estabelecimento atendia apenas “mulheres biológicas”. Ao comentar o caso, Nikolas afirmou que Kim estaria tentando impor a obrigação de depilar um pênis e classificou a situação como parte de uma suposta “imposição” relacionada à identidade de gênero.
Para a Justiça, no entanto, as declarações não configuraram apenas uma manifestação de opinião, mas atingiram diretamente a dignidade da influenciadora. No julgamento, os desembargadores também afastaram a alegação de imunidade parlamentar apresentada pela defesa de Nikolas Ferreira, por entenderem que as declarações não tinham relação com o exercício do mandato.
A defesa de Kim Flores Carlos informou que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a redução do valor, considerado simbólico diante da capacidade financeira do deputado, que declarou patrimônio de R$ 3,9 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Inicialmente, a influenciadora havia pedido R$ 20 mil, mas posteriormente elevou o valor para R$ 50 mil.
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